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Notícia02 AGO 2026

Sony mantém fim dos discos para novos jogos do PlayStation a partir de 2028, apesar das críticas

A empresa aposta que o digital já venceu. Quem compra em disco perde revenda, empréstimo e a única cópia que não depende de uma loja continuar aberta.

Redação ZollunRedação editorial · Zollun5 min de leitura
MUDANÇA
NOVOS JOGOS SEM DISCO
INÍCIO
JANEIRO DE 2028
CATÁLOGO ANTERIOR
NÃO AFETADO
POSIÇÃO DA SONY
PLANO MANTIDO

A Sony vai parar de fabricar discos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. O anúncio saiu no PlayStation.Blog em 1º de julho, assinado por Sid Shuman, Senior Director de comunicação de conteúdo da Sony Interactive Entertainment, e provocou um mês de reação organizada — petições, cancelamentos de PlayStation Plus, um "blackout" combinado de PS5. Em 31 de julho, na teleconferência de resultados do primeiro trimestre fiscal de 2026, a empresa respondeu pela primeira vez. E manteve tudo.

O que muda em janeiro de 2028

A frase do comunicado é curta: a produção de discos para todos os novos jogos lançados em consoles PlayStation será descontinuada a partir de janeiro de 2028. Desse ponto em diante, lançamento novo aparece na PlayStation Store e nas prateleiras do varejo apenas em formato digital.

Prateleira, aqui, não significa disco. Significa caixa com código, cartão de resgate, voucher impresso — o mesmo arranjo que a Rockstar adotou para a versão em caixa de GTA VI, que troca o disco por um código de download. Você continua podendo comprar num balcão, pagar em dinheiro, presentear. O que você leva para casa é uma licença, não uma cópia.

A distinção parece burocrática até o dia em que a loja sai do ar.

A Sony reconheceu as críticas, mas manteve o plano

Lin Tao, CFO e Corporate Executive Officer da Sony Group Corporation, tratou do assunto na teleconferência de 31 de julho, falando por intérprete. Foi a primeira manifestação da empresa desde o anúncio.

"We cautiously considered this, and we came to this conclusion, and we're going to cautiously move this forward", disse — consideramos isso com cautela, chegamos a esta conclusão e vamos avançar com cautela. Sobre a causa, apontou algo maior que o console: "The digitalisation of content overall has been progressing, that's the big factor. It's not just for PlayStation, but for all kinds of content."

Perguntada se a reação havia machucado o negócio, respondeu que não: "At this point in time, we are not seeing any impact on our business." A empresa reconheceu a emoção dos jogadores. Não sinalizou recuo.

O QUE NÃO MUDA

Jogos já lançados em disco, e os que ainda saírem em disco antes de janeiro de 2028, não são afetados pelo anúncio. Sua estante continua funcionando.

O que o disco ainda faz que o código não faz

Um disco é transferível. Você empresta para um amigo, vende quando enjoa, compra usado quando o preço cai, presenteia sem pedir permissão a ninguém. Um código de download é seu e de mais ninguém, para sempre, mesmo depois de você perder o interesse.

Some-se a isso a escolha de onde comprar. Enquanto existe mídia física, existe concorrência entre varejistas, promoção de encarte, mercado de usados, saldão de fim de linha. Sem disco, o preço de um jogo novo passa a ser negociado num ambiente bem mais estreito.

E há a questão que os arquivistas levantam há anos: o que sobra de um jogo quando o servidor de licenciamento desliga. Disco não é garantia de preservação — muitos exigem instalação, correção obrigatória, conexão para funcionar direito, e alguns são pouco mais que uma chave num pedaço de plástico. Mas um disco que roda sozinho é a única cópia que não depende de uma empresa continuar existindo. Retirar essa possibilidade dos lançamentos futuros fecha uma porta que hoje ainda está entreaberta.

POR QUE IMPORTA

Sem disco, o comprador perde de uma vez revenda, empréstimo, escolha de varejista e a chance de manter uma cópia que funcione fora do ecossistema. Não é a embalagem que sai de cena.

A conta que a Sony está fazendo

Do lado da empresa, o raciocínio é direto. A justificativa oficial diz que as preferências do consumidor e a indústria de entretenimento continuam migrando do físico para o digital, e que a preferência por mídia digital supera com folga a por discos. Nada nisso é polêmico: a tendência é pública, mensurável e antiga.

Fabricar disco custa. Prensagem, encarte, caixa, frete, estoque parado, devolução de varejo, previsão de demanda que erra para os dois lados. Distribuição digital elimina essa cadeia inteira e ainda entrega margem melhor por unidade vendida, porque não há intermediário levando um pedaço. Para uma divisão pressionada a mostrar rentabilidade, é uma decisão fácil de defender numa planilha.

O problema não está na leitura do mercado. Está em quem sobra fora dela — quem tem internet ruim, quem depende de revenda para bancar o próximo jogo, quem coleciona, quem simplesmente prefere ser dono do que comprou.

O que continua igual

A Sony não disse nada sobre leitores de disco em consoles futuros. Não disse nada sobre retrocompatibilidade, sobre PlayStation Plus, sobre os discos que já estão na sua casa. O comunicado trata de um assunto só: a fabricação de mídia para lançamentos novos, a partir de uma data.

Vale a pena manter isso no lugar, porque a conversa das últimas semanas tende a inflar. O anúncio não retira jogos de circulação, não desliga o mercado de usados, não invalida coleção e não encerra a venda de mídia física da noite para o dia. Ele fecha a torneira de novos discos em 2028 — e deixa em aberto tudo o que vem depois.

De uma caixa vazia a uma plataforma inteira

Quando a Rockstar confirmou que a edição em caixa de GTA VI traria um código no lugar do disco, a reação foi grande e ficou contida no produto: uma escolha de uma publisher, num lançamento específico, que dava para contornar comprando de outro jeito.

O que a Sony anunciou é a mesma ideia promovida a regra da plataforma. A partir de 2028, não existe "comprar de outro jeito" para um jogo novo de PlayStation. A decisão de uma empresa virou a única opção disponível no console.

O digital ganhou essa disputa faz tempo, e não há nada de errado em uma empresa reconhecer isso. A pergunta que fica é outra: se o digital já é dominante, por que eliminar a alternativa física?


Arte editorial: Zollun.

Fontes e referências4 fontes
  • PlayStation.Blog — "Physical disc production ending in January 2028 for new games releasing on PlayStation consoles". Consulta em 1º de agosto de 2026.
  • Video Games Chronicle — "'We're going to cautiously move this forward': Sony says it hears PlayStation disc backlash but will continue its plans". Consulta em 1º de agosto de 2026.
  • Engadget — "Sony will move forward with its plans to stop making PS5 discs despite backlash". Consulta em 1º de agosto de 2026.
  • NPR — "Sony says it will stop producing physical discs for PlayStation games". Consulta em 1º de agosto de 2026.
Neste texto
  1. 01O que muda em janeiro de 2028
  2. 02A Sony reconheceu as críticas, mas manteve o plano
  3. 03O que o disco ainda faz que o código não faz
  4. 04A conta que a Sony está fazendo
  5. 05O que continua igual
  6. 06De uma caixa vazia a uma plataforma inteira
Redação ZollunRedação editorial · ZollunCuradoria e edição do Zollun — análises, notícias e especiais produzidos e revisados pela redação sob linha editorial única.
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